Foto: Alexandre Lops / Inter / Vipcomm
O Gre-Nal foi bem melhor do que eu pensava, em todos os aspectos. A começar por ver de novo um estádio com as torcidas dividindo espaços iguais, o que infelizmente em Porto Alegre tem sido impossível, tanto por falta de esforço dos clubes, da Brigada Militar e da FGF como, em grande parte, pela selvageria e a rivalidade débil que só cresceu nos últimos anos com as duas torcidas “não-organizadas” de ambos os lados. Mas não foi só fora de campo que o Gre-Nal foi bom. O jogo em si foi também. Ao invés de um jogo truncado e que chama a atenção pela marcação, o clássico em Erechim foi aberto, com trocentas situações de gol. Não é uma afirmação, só um questionamento mesmo: será que o Gre-Nal teve mais bola rolando e menos aquela marcação cerrada o tempo todo porque quase não tinha jogador gaúcho em campo? Sério, não é afirmação, é pergunta mesmo.
Mal terminou o jogo e começou a discussão se o resultado havia sido justo ou não. É óbvio que os dirigentes e o técnico do Grêmio vão dizer que não, o oposto valendo para os colorados. Fato é que todo mundo sabe que a justiça não funciona de modo objetivo em futebol. Estão aí vários e vários exemplos de equipes que jogaram melhor e não levaram – e vamos ficar só com a Holada em 1974 e o Brasil em 1982. E também é contestável a afirmação de que o Grêmio jogou melhor. O Grêmio criou mais chances de gol, teve mais posse de bola. Isso é jogar melhor? Pode ser como pode não ser. Da mesma forma que criar várias situações é um ponto positivo, pode se dizer que o time desperdiçou várias oportunidades, não? O Inter teve menos, aproveitou melhor. Futebol é gol. Se bola na trave não altera o placar, imagina bola fora.
A arbitragem do Simon não foi lá uma maravilha, mas está anos-luz longe das críticas vindas do vestiário azul. Quando começou o jogo, acho que ele demorou demais para dar cartões. Analisando no segundo tempo, pensei que talvez ele estivesse correto. Se tivesse apresentado amarelos ali, o jogo não terminava com 18 em campo. E por ser o Simon, ele tem autoridade suficiente para se impor. Como se impôs. Os dois lados reclamam de pelo menos um lance cada. O Inter cobra a expulsão do Réver em uma falta no Nilmar. Eu acho realmente que ele dali ia pro gol, o zagueiro do Grêmio não buscava mais nem a pau. Mas é o problema da interpretação. Toda jogada em que vale a interpretação, não vale reclamar da decisão, apenas discordar dela. O Grêmio fala do gol anulado. Primeiro, não houve gol anulado porque naquele momento o jogo já estava parado, basta olhar as reações do Jonas e do Lauro no final da jogada. Houve impedimento? Claro que sim, mas não era um lance do Simon, e sim do bandeira. E também não era uma daqueles impedimentos clamorosos. Foi um erro. Só. O resto é choradeira.
O Inter ganhou por causa da arbitragem? Não. Ganhou por acidente? Não. Ganhou por causa do Tite? Não. Ganhou simplesmente porque o time é melhor individualmente falando. Quando mais jogadores com capacidade de desequilibrar num lance, mais chance de ganhar tu tem. A bola que sobra pro Nilmar não é a mesma que sobra para o Rafael Marques. O Nilmar decide. Por isso é craque. E por ter mais jogadores decisivos, o Inter ganhou. No fundo, futebol é bem simples, não?
Quem chamou a atenção positivamente:
* Grêmio: Victor de novo foi um fenômeno, aquela defesa com a perna foi genial. Réver foi preciso em quase todos os desarmes e cada vez joga mais. Fábio Santos acho que foi a melhor surpresa de todas. Souza fez um belo primeiro tempo e Alex Mineiro mostrou que não está ali só para fazer gols, mas também para deixar os outros na cara do gol.
* Inter: Eu acho que o Inter ainda vai pagar o preço de ter o Lauro no gol, mas nesse jogo ele foi muito bem. Álvaro é um zagueiro sério. Taison tem estrela, não jogou nada, mas foi decisivo no lance do gol. D´Alessandro é diferente, sempre que pega a bola sai algo inesperado dos pés dele, fora que ele tira o adversário do sério sempre. E Nilmar, bom, Nilmar é craque.
Quem chamou a atenção negativamente:
* Grêmio: Ruy participou do gol, fora isso não vi ele. Léo não é nem sombra do zagueiro que parecia ser no início de 2008. Diogo é candidato a melhor jogador de rugby do Gauchão. Tcheco é dos jogadores mais gente-fina que já conheci, mas não viajou para Erechim pelo visto.
* Inter: Índio entregou o jogo, foi salvo depois pelo Nilmar. Guiñazu recuado é um desperdício do tamanho do mundo. Alex é outro que deve ter visto o jogo pela TV.