
14h20min.
Tô no quarto, quando toca a campainha. Vou na sacada, olho pra baixo e tem uma senhora com aqueles cabelos amarelo-beira-de-estrada. O que dá início ao seguinte diálogo.
- Pronto?
- É aqui que vende cano hidráulico?
- Não.
- Não é aqui?
- Não, talvez seja ali na última (aponto em direção à casa ao lado da escadaria).
- Como assim, a última?
- A última antes da escadaria, talvez seja ali.
- Mas é ali?
(respiro)
- Não sei, eu sei que aqui não é.
- Mas então por que tu tá dizendo que é ali?
(respiro de novo)
- Não disse que é ali, disse que aqui não é, talvez seja ali.
- Tu disse que é ali.
(ponteirinho da paciência passa pro vermelho)
- Não sei se é ali, sei que aqui não é.
- Então não fala, não inventa.
(volto pro quarto e deixo ela falando sozinha)