O Souza

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Ontem foi na trave. Quase 20h, o editor volta da diagramação com a capa da edição de sábado para distribuir as matérias. Como tem acontecido todo o dezembro, os espaços não são muito grandes, até porque não tem tanta notícia nova assim. Fazia quase uma semana que era uma matéria de Inter e uma de Grêmio. E olha que tem dias que três ou quatro parágrafos parecem um mundo, tamanha a falta de novidades. Não era o caso de ontem porque o Grêmio estava acertando a vinda do Souza, do São Paulo, e a permanência do Diego Souza. Mas ok, cabia tudo em uma matéria grande. Vi que a abertura era grande e logo vi que ficaria com ela, com espaço para as duas histórias. Até que o Hiltor diz “A matéria 1 é Grêmio, a 2 é Grêmio, a 3 é Inter…”. Sem idéia do que botar naquele latifúndio, ainda tentei argumentar timidamente: “mas o que eu coloco nessa dois?”. “Pergunta pro setorista do Grêmio”, respondeu ele, na galinhagem. Ok, bem feito pra mim por ter perguntado.

Certo, vamos lá atrás das fontes. Eis que ligo uma, duas, três, 20 vezes e nenhuma das pessoas que poderiam falar sobre os assuntos atendem. Nem mesmo aquelas que sempre atendem. Era só sinal de chamandou ou caixa postal. Isso às 20h15, às 20h30, 20h45, 21h, 21h15. Lá pelas 21h30 batia o desespero. Eu até já tinha conseguido as informações pra botar, mas queria falar com alguém do São Paulo ou o empresário sobre o Souza. Eis que lá pelas tantas, ligo pra outro empresário que me pede pra ligar em “sete ou oito minutos” (nunca ninguém tinha pedido pra ligar em “sete ou oito”, é sempre cinco, dez, meia hora) porque vai me conseguir o telefone do empresário e o celular do próprio Souza. Beleza! Feitorela!

Sete ou oito minutos depois ligo e pego os números. Tento o empresário e pimba, caixa postal. Merda. Ok, tento o Souza. Abre parêntese. O Souza foi um dos melhores jogadores do Brasileirão pelo São Paulo e, portanto, é um cara valorizado. Sendo assim, poucos times no Brasil têm condições de bancar uma proposta por ele. Com certeza, só os grandes de Rio, SP, Minas e daqui. Fecha parêntese. Chama o telefone…

– Alô.

– Alô, é o Souza?

– Ele mesmo, quem tá falando?

Eu nunca falei com o Souza, mas já escutei várias entrevistas dele na TV. E definitivamente, não parecia a voz do Souza, mas enfim…

– Oi, Souza, é Carlos, do Correio do Povo, de Porto Alegre. Tudo bem? Tá podendo falar?

– Claro.

– Souza, o pessoal aqui tá comentando que tu pode fechar com o Grêmio, como tá o negócio, tá encaminhado?

– Olha, não sei de nada não, até ouvi uma ou outra coisa, mas eu devo acertar amanhã com um time de fora do país.

Opa. Isso seria notícia. Todo mundo dando ele certo no Grêmio e o Souza diz que vai pra Europa. Até que…

– Ah é? E mais alguém fez proposta?

– Aqui no Brasil outros clubes falaram comigo. A Portuguesa…

Sinal vermelho. Nada contra a Portuguesa, mas é um clube pequeno que recém voltou pra Série A. Não tem bala na agulha pra bancar um Souza.

– A Portuguesa, é?

– Sim, eles falaram comigo, mas eu devo ir pro exterior mesmo.

Ok, não entendi mal, era a Portuguesa mesmo que ele falou. Mas a Portuguesa nem sonha com o Souza, do São Paulo. E o Souza do São Paulo não tem a voz do cara que estava do outro lado da linha. Que definitivamente era um Souza, mas não o Souza do São Paulo.

Não faço a mínima idéia com qual Souza eu falei.

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2 Respostas to “O Souza”

  1. Luís Felipe Says:

    não era o meia esquerda aquele, que foi camisa 10 da seleção lá nos idos de 1996, e agora está no América RN?

  2. Carlos Corrêa Says:

    Bah, até pode ser…

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