Faça o que eu digo, não faça o que eu faço

De novo o doping. Ou melhor, não-doping. Ou melhor ainda, sabe-se-lá o que.
Há algumas semanas o Roth disse que a imprensa precisa ter assunto e por vezes força algumas barras. O que a gente sabe que é verdade.
Agora, foi a vez do Grêmio e da Federação Gaúcha de Futebol forçarem uma barra. A pior, claro, foi a da FGF. Fazer um auê em cima do vazamento de que teria um caso de doping no Gauchão é ter falta de assunto do lado de lá. Ontem, no final da tarde o site da FGF largou um comunicado oficial que termina com a brilhante frase: “Todas as pessoas que divulgaram informações apontando este ou aquele clube ou atleta faltaram com a ética pois esta tarefa cabia a Federação Gaúcha de Futebol que o fez cumprindo a risca o protocolo destas questões“.
Falta de ética? Notícias vazaram a vida toda, não ia ser exceção nesse caso e nem vai ser a última vez. Do contrário, vira o império dos releases e comunicados oficiais.  E outra, “cumprir à risca o protocolo” não. Tenho entrevistado o diretor-médico da FGF, Ivan Pacheco, desde segunda-feira. Em todas as vezes ele me lembrou que o procedimento padrão seria ele receber o documento e se houvesse algum resultado atípico ou positivo, comunicar o clube. Daí jogador ou clube TERIAM 24 HORAS PARA SE MANIFESTAR. Só depois disso a FGF poderia divulgar. O que aconteceu ontem? A FGF recebeu os exames de tarde e no mesmo turno divulgou quem era o jogador. Belo protocolo. Diz que rolou um “deixa que eu mato no peito. Mas aí a falta de ética é de quem divulgou o assunto antes de ele ser “oficial”. Como se alguém nesse meio tempo tivesse divulgado alguma inverdade. Lamentável.
Engraçado que ano passado, quando um comentarista divulgou antes que o exame anti-doping do Marcão tinha dado positivo, a FGF não fez escândalo nenhum. Aí pode vazar na boa.

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2 Respostas to “Faça o que eu digo, não faça o que eu faço”

  1. Guillermo Says:

    Vocês estavam loucos para que o “dopado” fosse o Roger, né? Só assim teriam assunto…

    Li a cobertura do CP e gostei de que desde o começo foi dito que era resultado ATÍPICO e não doping. Enquanto isso o pessoal do “jornal” perto do Monumental estava divulgando a todos os ventos que era doping e que iam divulgar o nome do criminoso dopado antes de todo mundo.

    Concordo que o comportamento da federação colorada de futebol não foi correto. Será que a torcida deles também era pelo nome do Sr. Flores?

    DÁ-LHE GRÊMIO!!!!

  2. Carlos Corrêa Says:

    Tá. Vamos tentar dialogar decentemente.
    Primeiro. Geralmente os torcedores ficam putos da cara quando uns 50 se metem em uma briga e sai nos jornais que a torcida brigou. Dizem que a gente generaliza. Então por coerência ao menos tu não deve mais usar “vocês”.
    Segundo. É lenda, e isso se prova com dados, que a crise rende mais e vende mais. Título rende mais. Título vende mais jornal, dá mais acesso em site e por aí vai. Logo, ninguém seca ninguém porque ninguém é burro de jogar dinheiro fora. Não falo nem de paixão clubística ou o caralho a quatro, mas só de lógica. Colorado ou gremista, o cara que cobre o dia-a-dia de um clube prefere mil vezes trabalhar cobrindo uma competição do que tendo que parir notícia do nada. Não precisa parar para pensar muito: tu acha que o repórter prefere viajar para Buenos Aires e cobrir uma final de Libertadores e Tóquio uma de Mundial ou torcer para que o time caia e então cobrir jogo em Anápolis e Ipatinga?
    Terceiro. Em âmbito nacional, concordo que o Roger teria muito mais espaço, o que é diferente de torcer para que fosse ele. Aliás, quando se começa a trabalhar com futebol, o que se menos faz é torcer porque o lado “romântico” da coisa vai todo pro saco à medida que tu percebe que não passa de um grande negócio. Mas retomando. Aqui no Estado, o Roger seria tão assunto como o Tadeu foi. E como foi o Marcão do Inter ano passado.
    Portanto, sério, desencuca em achar que a imprensa é a culpada disso ou daquilo. A imprensa não contrata o Gallo ou Roth, nem ganha dinheiro com o Pato ou o Lucas. Aliás, desencuca em geral. A partir do momento em que futebol passa a ser mais encheção de saco do que uma diversão, alguma coisa tá errada. Se o cara corre o risco de tomar um soco porque saiu com uma camisa vermelha ou azul, a coisa tá muito errada. E eu acho que tá cada vez mais errada nesse sentido. Tanto na Padre Cacique como na Azenha.

    Conversando decentemente fica bem melhor, não?

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