A gripe é coisa de comunista

Julho 4, 2009 by Carlos Corrêa

chines

Olha, duvidar hoje em dia não é dos melhores verbos. Convém não duvidar de nada. Mas que aparecem umas teses meio estranhas, ah, aparecem. Essa semana, por exemplo, achei que já tinha ouvido de tudo sobre a gripe suína, H1N1, sei lá se de ontem pra cá deram outro nome, mas vocês sabem do que estou falando. Pois é, mas eu não sabia que a doença fazia parte de algo maior. Muito maior.
Estou indo do jornal para o Olímpico e conversa vem, conversa vai com o motorista, o papo chega na gripe. Então ele comenta:
- Isso é coisa de guerra.
De cara, não entendi bem, guerra? Me esforcei um pouco e achei que o comentário era no sentido de que se a coisa espalhar às ganhas, o exército vai ter que auxiliar de alguma forma. Lembrei daquele filme Epidemia, manja? Enfim, foi o máximo de relação que eu fiz da gripe com guerra. Então sem ter muito o que comentar, comentei:
- É, né.
Aí a revelação. Aquela que fez eu me dar conta como não sei de nada.
- Tu lembra que a China lançou um foguete há um tempo que ninguém sabia?
- É? Não sabia.
- Pois é, quem garante que não foram eles que soltaram esse vírus lá em cima pra matar todo mundo e ficar só eles?
- Peraí, mas ia espalhar e matar eles também.
- Não sei, eu não duvido, esses chineses são todos loucos. Foram eles que começaram com isso aí.
Demorou um pouco para eu assimilar tanta informação chocante. Mas consegui retomar o raciocício e me veio uma lembrança. Então comentei:
- Mas essa gripe não estourou no México?
(silêncio)
- É, tem isso.

***

Dois dias depois. Caminho inverso: Olímpico-jornal. Volta o papo, agora mais rápido. O mesmo motora:
- E essa gripe, hein?
- Tu vê né.
- Isso pra mim é coisa de comunista.

Sienninha

Junho 30, 2009 by Carlos Corrêa

sienna

É um filme sobre os Comandos em Ação.

É, isso mesmo. Um filme sobre aqueles bonequinhos que a gente tinha – eu ao menos tinha – quando éramos menores.

Mas e daí? Sienna Miller. Morenaça. Com roupa de couro. Pra que mais?

G.I. Joe

Pesquisa de preço é o caramba

Junho 27, 2009 by Carlos Corrêa

mj

Pouco influenciável que sou, ontem saí pra comprar o DVD de clipes do Michael Jackson – verdade seja dita, já queria há tempos, a coisa toda essa semana só catalisou o processo. Então estou eu ontem, um dia após a morte do cantor, no Barra Shopping, e de cara vou na Saraiva. Como era de se pensar, havia sobrado pouca coisa, já que uma galera teve a mesma ideia que eu. Olho, olho, olho e acho o Number Ones, o DVD dos clipes que eu queria. Pergunto pro cara quanto é, ele diz que tem que tirar da caixinha de proteção pra conseguir ler o código de barra. Sem problema. Volta o cara: R$ 40 ou algo assim. Penso, penso e resolvo ir na Fnac só por via das dúvidas pra ver se está mais barato.
Não devo ter levado cinco minutos pra chegar na Fnac, na outra ponta do shopping. Procuro e só acho o DVD do show, que não era bem o que eu queria. Falo com o atendente e ele responde o esperado:
- Esgotou hoje.
Beleza, vai o da Saraiva mesmo. Volto na Saraiva. Não deve ter dado outros cinco minutos, ou seja, contando tudo um pouco mais de 10min. Vou na mesma prateleira e nada. Mas como o cara tinha tirado da caixinha, podia estar com ele. Pergunto e explico pro atendente. Ele vai lá dentro ver se ficou no balcão. Volta com um sorriso meio amarelo:
- Aquele era o último e está na mão daquela cliente ali – diz, apontando para uma gordinha baixinha e quase rindo de canto da minha “desgraça”.
A vontade de dar uma voadora e pegar o DVD antes que ele caísse no chão era grande. Como ela estava com outros na mão, até cogitei esperar ela ir no balcão, na esperança de que ela achasse tudo muito caro e desistisse.
Ela não desistiu. E eu perdi o último DVD do Michael Jackson por dez minutos.

Se falou macaco, foi racismo

Junho 26, 2009 by Carlos Corrêa

racis

Eu não sei o que o Maxi López falou para o Elicarlos, ontem, perto da linha do meio de campo no gramado do Mineirão. As câmeras mostram o argentino falando algo e o Wagner, do Cruzeiro, partindo para cima dele como o Zidane foi para cima do Materazzi na final da Copa de 2006. Não sei o que foi dito, mas me dou ao direito de achar que não foi pouca coisa pela reação. Daí a afirmar que houve racismo vai uma distância considerável e eu não sou irresponsável. Nem tendencioso.
O que eu sei, e disso tenho certeza, é que racismo é crime sim e é nojento. Diminuir alguém por causa da cor da pele é baixo demais e não cabe em lugar nenhum, seja em um jogo de futebol, seja numa rinha de galo ou onde for. E por isso me preocupa a postura de alguns dirigentes que acham ser normal um jogador chamar o outro de macaco. Argumentam que “é coisa do futebol”. Não é. Mais do que isso. Se para alguns ainda é, que deixe de ser. Por isso, ontem era a hora dos dirigentes deixarem claro isso. Se o Maxi não disse nada, beleza, defendam o jogador. Mas não venham dizer, como ouvi do presidente da Federação Gaúcha de Futebol, Francisco Noveletto, que “macaco” não tem uma conotação pejorativa. Ah não? Pior que isso, só a tentativa de explicação do dirigente: “Ele falou, mas não foi nesse sentido. É como eu chamar alguém de veado”. Ah, então acusar fulano de veado é normal também?
Como eu disse no começo desse post, eu não sei o que o Maxi falou e portanto não posso julgar ele. Posso sim – por mais que alguns dirigentes achem que a verdade pertença a eles – julgar todos os outros fatos consequentes desse episódio. E meu amigo, é uma sucessão de erros de todos os lados. Quer ver só?
# A ação da polícia
Os policiais de BH foram ao vestiário e não encontraram o jogador do Grêmio. Era lógico que ele estava no ônibus. Por que toda uma ação truculenta, com direito a segurança sendo algemado e arma sendo sacada se o argumento era de que um atleta precisava ser levado para depor?

# A ação do Cruzeiro

Rolou racismo? Vai lá e denuncia. Denunciou? Pronto, acabou, tu já fez tua parte. Dar a entender que essa ou aquela direção fez isso pensando em criar clima para o outro jogo nada mais é do que armar clima para o outro jogo. E por mais que ache que isso não muda em nada o teor e a legitimidade da denúncia, esperar o final do jogo para falar de um caso que aconteceu no primeiro tempo é de fato meio estranho.

# A ação da direção do Grêmio
Uma vez que foi informado que a polícia queria ouvir o jogador, por que armar todo aquele circo? Barrar a entrada de policiais no ônibus? Se negar a sair da frente? Por algum momento passou pela cabeça de alguém ali que a polícia iria desistir de ouvir o Maxi? Tentar uma negociação rápida para a saída do jogador era o mais sensato. Quanto mais expectativa tu cria, é óbvio que maior será a tua exposição. Deu no que deu.

# A entrevista do Paulo Autuori
Paulo Autuori chegou com fama de gentleman. E de fato, nas primeiras semanas, honrou a fama. Em todas as entrevistas foi atencioso, sincero nas respostas e sempre claro ao explicar cada uma delas. Nessas últimas semanas algo parece tirar um pouco da paciência do treinador, talvez reflexo da instabilidade do time, que ainda não engrenou como devia. No final de semana, já havia dado uma impressão de irritação na coletiva depois de empatar com o Goiás. Nada demais para os repórteres que conviveram mais de um ano com Celso Roth, mas estranho para quem vinha se acostumando com o Autuori way of life. Pois ontem, depois do jogo, ele até foi bem. O problema foi depois do depoimento, na saída da delegacia. Só a tensão de quem pouco antes recebera voz de prisão por desacato à autoridade (posteriormente retirada) explica uma pessoa inteligente e culta como Autuori afirmar que não há nada demais na suposta acusação de racismo. Afirmar que isso acontece sempre e que é do jogo. Afirmar que é hipocrisia. Mas o pior: afirmar que temos que nos preocupar com coisas mais importantes? Desculpa, Paulo, posso até estar errado, mas acho que me preocupa mais uma acusação de um jogador chamando um colega de macaco do que as falhas da zaga do Grêmio.

# A postura do Grêmio para o jogo da volta
Conversei demoradamente com o assessor de futebol Luiz Onofre Meira hoje à tarde. Estou pra dizer que foi das melhores conversas que já tive com ele. Talvez não tenhamos concordado em nada, mas cada um apresentava seus argumentos, respeitava o do outro e seguia o papo. Pena que quando chegou o outro dirigente, André Krieger, a coisa não foi pelo mesmo caminho. Mas voltando… Questionei o Meira se quando a torcida do Grêmio grita “Chora macaco imundo” é racismo. Ele acha que não. Eu acho que sim. Muita gente acha que não. Muita gente acha que sim. Respeito quem ache que sim. Perguntei se não era mais adequado a direção pedir, de alguma forma, que a torcida não gritasse especificamente esse verso, ao menos nesse jogo, já que querendo ou não o Grêmio está em meio a um caso de racismo e todas as atenções sobre isso vão estar voltadas para o Olímpico na semana que vem. Resumindo: vai que alguém bronqueia com isso e tira o mando de campo. O Meira acha que o Grêmio não corre esse risco e argumenta que o clube não tem poder sobre 50 mil torcedores. Entendo o posicionamento dele, mas acho que nesse jogo é dar chance pro azar. Por fim, perguntei se não era o caso ao menos de orientar que não houvesse gritos racistas contra o Elicarlos, caso ele jogue em Porto Alegre. Foi a resposta que, confesso, mais me incomodou. Diz ele que isso foge do controle deles e que acontece em vários lugares. Ponderei se não cabe aos dirigentes ao menos dar o exemplo para que coisas assim deixem de acontecer. “Acho que tu está sendo muito rigoroso”, disse o Meira.
Meira, contra racismo, posso ser rigoroso sim. E acho que tu, o Grêmio, o Inter e qualquer outro time deveria ser também. Quem sabe quando todo mundo for, a gente só discuta os resultados da rodada.
Tomara.

R.I.P.

Junho 26, 2009 by Carlos Corrêa

Michael Jackson

1958 – 2009

Thriller, o melhor clipe já feito na história.

2012

Junho 19, 2009 by Carlos Corrêa

Como Independence Day (ok, eu acho o máximo, mas sei que no fundo é uma porcaria), Godzilla e, principalmente, O Dia Depois de Amanhã já nos mostraram, convém aproveitar os filmes do Rolland Emmerich antes que eles estreiem, já que tudo o que os teasers e trailers têm de bom, os filmes têm de ruins.

2012, com estreia prevista para outubro, tem o trailer mais sensacional dos últimos tempos. Fosse outro diretor e até rolaria uma expectativa, mas com ele o negócio é curtir agora e reclamar depois.

Dá uma olhada no trailer e me diz se não é de babar.

Galvão Bueno é gênio

Junho 15, 2009 by Carlos Corrêa

haja

Há pouco, terminou o jogo do Brasil, 4 a 3 contra as múmias. Mas isso é o de menos. Lá no finalzinho, partida empatada, encrespada, até que sei lá quem chuta a bola e um dos egípcios tira meio com o braço, meio com o ombro. Galvão Bueno berra pênalti. O árbitro não dá nada. Então Kaká, Lúcio e os outros jogadores saem gritando, pedindo a penalidade. Aí o Galvão manda uma pérola: “Quando todo mundo reclama é porque aconteceu”. Simples assim. Genial! Fantástico!
A verdade é que o narrador que se dá ao direito de ter domicílio em Monte Carlo é tão notícia quanto os eventos que comanda faz tempo. O estilo dele pode agradar ou não, mas chegou a um ponto em que ninguém fica alheio a ele. Canso de ouvir pessoas dizendo que começam torcendo pro Brasil,  mas lá pelas tantas passam a secar porque o ufanismo dele é tanto, mas tanto que irrita. É verdade. Mas só é verdade se as pessoas levarem ele a sério. E tá aí o erro, o pessoal leva o Galvão muito a sério. Relaxem, curtam mais e vocês vão ver o quão gênio ele é. Ou ao menos engraçado.
Daqui uns 10, 15 anos, Galvão Bueno vai ser cool. Mas por enquanto, ele tá naquela fase em que o divertimento da galera é dar pau. Só pra lembrar outro exemplo, guardadas às devidas proporções. Quando eu era criança, o Didi era “o” cara na comédia. Aí os Trapalhões acabaram, ele começou a fazer filmes com a Xuxa, programas com ex-BBBs e por um bom tempo, foi pau e pau. Hoje em dia, ninguém se atreve a contestar o quão ruim são aqueles programas dele no domingo, mas também ninguém se atreve a negar que no conjunto da obra, ele foi gênio. Pois então, só o tempo vai provar o quanto Galvão Bueno é gênio. Bom narrador nem se discute. Mas tem mais que isso.
As partidas/corridas/lutas/disputas vêm com as opções “com emoção” e “sem emoção”. Sem ele, são competições esportivas. Com ele, viram eventos. Caramba, tem como não se divertir com um cara que dá palpite sobre tudo, de futebol à natação? Que puteia o comentarista de arbitragem quase todo jogo? Que vai contra os próprios replays só porque está torcendo para um dos lados? Na boa, menos realidade e mais diversão, gente. Vocês têm a opção de assistir com ou sem Galvão. Se tu quer seriedade, troca de canal, liga o rádio, vai escutar os palpites furados do Cléber Machado, faz alguma coisa. Mas te garanto que ver com ele é muito mais divertido. Qualquer outro narrador “imparcial” diria que o lance no jogo do Brasil era duvidoso. Eu continuo preferindo ser surpreendido com uma tese cheia de embasamento científico, tipo “quando todo mundo reclama, é porque aconteceu”. Afinal, nada melhor do que começar o dia rindo. Haja coração, amigo!

She

Junho 3, 2009 by Carlos Corrêa

kate2

Fazia tempo que ela não dava as caras aqui.

Mas uma vez Kate, sempre Kate.

09.09.09

Junho 2, 2009 by Carlos Corrêa

B1

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Alguns vão dizer que é só um jogo de videogame.

A gente sabe que não.

Rockband Beatles, em setembro.

Caracas, moleque

Maio 29, 2009 by Carlos Corrêa

# Vamo que hoje vai ser grande.

# Zumbi mode: off

# Finalmente em casa, depois de quase um dia inteiro viajando. Dormir das 2h às 3h30, estar no aeroporto 5h30, embarcar 8h, fazer SEIS horas em São Paulo esperando conexão e chegar em Porto Alegre só 0h, é uma boa maratona. De quebra, chego aqui e o frio voltou.

# Mas voltemos à Venezuela. Do começo.

# Cheguei lá na terça-feira 6h. Se eu recebesse R$ 10 cada vez que escutei mensagens sobre a gripe suína, a viagem teria sido financeiramente linda. O pessoal do jornal tinha dito que ia ter alguém me esperando pra fazer o translado até o hotel. De brincadeira, até ia tirar uma foto da pessoa segurando uma plaquinha com o meu nome, mas quando vi a pinta, achei melhor não brincar. Parecia coadjuvante de filme chicano. Mas no caminho pro hotel, fui conversando com o señor Orlando e ele até pareceu gente fina. Deu umas boas dicas de comida, mas acabei não provando nenhuma delas.

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# As primeiras impressões de Caracas foram todas de trânsito. E todas elas se confirmaram nos outros dias. Primeiro, salvo as madrugadas, a capital venezuelana tem tranqueira SEMPRE. Não é um engarrafamento qualquer, é uma tranqueira master. O trânsito lá é meio bangue-bangue, os caras vão de uma pista pra outra quando bem entendem, sinal pra quê? E o pior é que não resta outra alternativas, já que são avenidas enormes, com várias pistas. Ou seja, desista da ideia de ir a pé porque tu nunca, nunca mesmo vai conseguir atravessar a rua.

# Taxímetro não existe lá. Os trechos são todos tabelados, tu entra no carro, diz “tal lugar” e o motora dá o preço. Quer quer, não quer, sai.

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# Ainda carros. Não lembro de ter visto um ônibus em boas condições. Aliás, não lembro de ter visto um que não esteja batido atrás.

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# Mais carros. Ou são uns carrões novos ou aquelas banheiras dos anos 70 (com direito ao motora dirigindo com uma mão só e com o outro braço apoiado no vidro, uma coisa seriado policial anos 80). Ah, e camionetes. Muitas delas, 4×4 faz sucesso pra caramba lá.

# Tá, chega de carros.

v1

# A ideia inicial era ficar no mesmo hotel do Grêmio, até por isso fui em outro vôo (só podia ir no vôo fretado pelo clube se comprasse o pacote da agência, mas era venda casada com outro hotel). Beleza, hotel marcado e tudo mais. Só que depois disso, o Grêmio trocou de hotel e não conseguimos trocar. Não chegou a ser ruim, até porque esse primeiro hotel tinha umas 200 estrelas. Se eu resolvesse almoçar por lá, acho que teria que comprometer meu 13º ou então parcelar em 10x. Pela vista do quarto aí tu vê que eu não minto.

v2

# Não é desprezo dos venezuelanos ou coisa do gênero. Mas futebol pra eles está longe de ser o maior dos interesses. O negócio lá é beisebol e pronto. Depois, ainda vêm boxe e basquete e só depois, talveeez futebol. Por isso, acho que no dia em que o Grêmio foi fazer o reconhecimento do treino rolou muito mais mosquice do que sacanagem mesmo. Quando a delegação chegou ao estádio da UCV, não tinha mais luz e o pessoal da universidade estava treinando atletismo bem na boa na pista. E ali continuaram, até porque quem estava à volta não sabia o que era o Grêmio, no máximo sabiam que o Caracas jogaria no outro dia. Ah, o treino de atletismo continuou sem problemas.

# Os gramados da segunda divisão do Gauchão não perderiam em nada para o campo da UCV. A bola não rola lá, pica (eu sei que o certo é quicar, mas parece certinho demais pro meu gosto) o tempo todo.

# De longe, o que mais chamou atenção na torcida foi o lance dos fogos. Empolgação toda torcida tem, vamos combinar. O que em Caracas tem de diferente é mesmo o fogo. Literalmente falando. Perguntei pra um repórter deles como funciona aquilo e é tão simples como surreal para uma partida de futebol. É o seguinte: os caras levam um pote de spray, tipo de desodorante, manja? Só que ao invés de desodorante, os caras tacam gasolina, diesel ou algo do gênero. Então, na hora apertam e junto acendem um isqueiro. E foda-se que tenha uma galera à volta. Mas o efeito de longe é bem bonito, é preciso admitir. Imagina se a mesma coisa fosse liberada num Gre-Nal, por exemplo. A ala de queimados do HPS ia precisar muito de um reforço.

v5

# O estádio em si é bem ajeitadinho, as cabines bem boas para trabalhar (tem entrada de internet a cabo, coisa que nem Beira-Rio ou Olímpico oferece hoje em dia) e os venezuelanos foram bem atenciosos. E, ainda bem, esse setor aí de cima não tem nada a ver com o que o nome sugere.

# O jogo? O Caracas tem uma jogada aérea forte. E não vejo muito além disso. O Grêmio jogou só 15min e mesmo assim quase conseguiu virar no final. Aqui em Porto Alegre, deve passar sem nenhuma dificuldade.

v8

# A Coligay. Valeria uma matéria saber quem botou a faixa lá. O problema é que a gente estava do outro lado do estádio e não tinha acesso àquela parte. Como as letras estavam em preto, azul e branco, é óbvio que era uma menção à torcida gay que o tricolor tinha nos anos 70. Por outro lado, como estava na torcida do Caracas, podia ser sacanagem só. Se bem que, caso fosse mesmo algum remanescente (ou alguém querendo o renascimento do grupo) duvido que os gremistas deixassem o cara botar a faixa lá. Mistério.

v7

# Eu cheguei terça de manhã e voltei quinta no mesmo horário. Ou seja, na prática foram dois dias inteiros lá. Dessa forma, qualquer avaliação que eu vá fazer do país ou da cidade é só um pouco mais do que superficial. Antes de ir, até tinham me sugerido fazer uma matéria sobre a situação dos venezuelanos, as questões sobre o Hugo Chávez e tal. De cara avisei que não rolaria porque seria a fraude da fraude, em cima do que falei antes ali, é muito pouco tempo. Fiquei com algumas impressões, mas são minhas, nada além disso. Tipo, eu que me considero mais de esquerda e tal fiquei um pouco incomodado com os programas de TV pró-governo. Primeiro porque todos os telejornais são engajados, pró ou contra. Ou seja, não tem como tu ver algo imparcial. Só que a parcialidade é demais. É repórter de uma emissora brigando a cotovelaços (mesmo!) com o de outra, e tudo na frente das câmeras. A hora que fui dormir fiquei vendo um pouco de um debate sobre um protesto “pró-liberdade de expressão” feito pela oposição. No canal pró-Chávez. A reportagem exibida era o seguinte: um repórter, com colete à prova de balas (ou parecia isso ao menos) no meio da galera perguntando por que eles marchavam. Se alguém respondia que era porque faltava liberdade de expressão, ele respondia “mas se você está marchando, não é por que existe essa liberdade?”. Depois, esse mesmo repórter, já no estúdio, sugeria que os manifestantes deviam ser tratados pelo ministério da saúde, porque, segundo ele, só louco pode ser contra o governo. Então coisas assim não têm como deixar uma boa impressão. Até procurei o canal Globovisión, o da oposição, mas no hotel não tinha. Numa dessas – muito provavelmente – me incomodaria tanto quanto o da situação. Perde na real o pessoal de lá, que nunca tem como saber o real lado da história, já que cada um puxa pro seu. Mas é aquela coisa, ninguém pode analisar melhor a situação dos venezuelanos do que os próprios. Não vou ser eu que, em dois dias de viagem, vou dar palpite. Certo?

# Pra finalizar: o silicone na Venezuela deve ser muito barato.